Saúde e Direitos

Movimentar-se é um direito:
quem fica de fora e por quê?

Por que, mesmo sabendo que o esporte salva vidas, tantas pessoas ainda estão fora dele?

Capítulo 01 · Início

O mundo se move menos do que deveria

Ela compra um tênis.

Escolhe uma academia.

Salva um treino e promete que na segunda-feira, vai...

mas a segunda-feira nunca chega.

Talvez falte tempo.

Talvez falte companhia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maioria não atinge o nível mínimo recomendado de atividade física.

Inatividade física em adultos. O ponto de 2010 é derivado do “+5 p.p. desde 2010” informado pela OMS; o de 2030 é projeção. Fonte: WHO, 2024.

O impacto é individual e coletivo.

1,8 bi

de adultos estão fisicamente inativos no mundo.

20–30%

mais risco de morte para quem é insuficientemente ativo.

US$ 300 bi

custo estimado da inatividade para a saúde pública (2020–2030).

Na direção oposta, a atividade física regular contribui para a prevenção e o manejo de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, além de reduzir sintomas de depressão e ansiedade.
Capítulo 02 · Conflito

Quem fica de fora primeiro

Quando olhamos mais de perto, a desigualdade aparece.

Mulheres são, em média, 5 pontos percentuais menos ativas que homens. Entre adolescentes, a diferença é maior.

Meninas Meninos

No Brasil, o IBGE encontra o mesmo tipo de desigualdade, com seus próprios números.

Homens Mulheres

Praticou esporte ou atividade física

Praticou somente esporte

Fonte: IBGE, 2017, p. 12 e p. 15.

E existe ainda outra camada de exclusão.

Fonte: NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 21.

Leia com cuidado: os números vêm de pesquisas diferentes (WHO, IBGE e NIX), com populações, métodos e perguntas distintos. Eles não devem ser comparados em valor absoluto.
Capítulo 03 · Diagnóstico

Os motivos mudam quando se olha mais de perto

Na população em geral, o motivo mais citado é a falta de tempo. Dentro da comunidade LGBTQIA+, o tempo continua em primeiro — mas a composição muda.

IBGE, 2017 NIX Diversidade/Nike, 2022

Fontes: IBGE, 2017, p. 20; NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 27.

As categorias e os pesos de cada pesquisa são próprios. A leitura aqui é de composição e ordem dos motivos — não de comparação em valor absoluto.

Entre os motivos citados pela comunidade LGBTQIA+ aparecem barreiras que não existem como categoria na pesquisa do IBGE.

Fonte: NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 27.

E a barreira não termina quando a pessoa começa a praticar.

Fonte: NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 38–39.

A própria comunidade apoia a superação de divisões rígidas de categoria.

Fonte: NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 40.

Outro estudo reforça a importância da companhia entre estudantes do Ensino Médio.

Estudantes LGBT+ Estudantes não-LGBT+

Citaram “falta de companhia” como barreira

Escore de barreiras específicas (média ± desvio)

Fonte: Lopes & Del Vecchio, 2026.

Capítulo 04 · Fechamento

O que fica quando tiramos o que não podemos resolver

Falta de tempo é a principal barreira — e é estrutural: rotina, trabalho, transporte, distância. Um aplicativo não cria mais horas no dia.

Tirando o tempo de cena, o que sobra nos dados aponta para outro tipo de barreira.

Fonte: NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 27.

A falta de companhia aparece como 2º motivo entre pessoas LGBTQIA+ que não praticam esporte.

Companhia Alguém com quem começar.
Conexão Um vínculo que sustenta a prática.
Pertencimento Um lugar onde se quer voltar.

Fontes: NIX Diversidade/Nike, 2022, p. 27; Lopes & Del Vecchio, 2026.

Nota de projeto

A partir daqui, saímos dos achados e entramos nas decisões do projeto. Os dados sustentam a relevância de companhia/vínculo social dentro da comunidade LGBTQIA+.

A inclusão de mulheres cis e pessoas LGBTQIA+ é uma decisão de escopo, apoiada pelo fato de que mulheres praticam menos atividade física — não por um dado que comprove falta de companhia entre mulheres cis. Da mesma forma, gamificação e permanência são hipóteses de design: as pesquisas não medem seu efeito sobre retenção.

Método

Fontes e limitações

WHO · 2024
Limitação: dados globais sobre atividade física. Não apresenta recorte específico LGBTQIA+.
IBGE / PNAD · 2015 (publicado em 2017)
Limitação: dados nacionais sobre prática esportiva. Não abre por orientação sexual ou identidade de gênero.
NIX Diversidade/Nike · coleta 2021, publicado em 2022
Amostra: 1.037 pessoas.
Limitação: amostra não probabilística. Não generalizar para toda a população.
Lopes & Del Vecchio · 2026
Limitação: estudo com foco em jovens e ambiente escolar em Pelotas. Não representa toda a população brasileira.

A pergunta que fica

De: “Eu não vou sozinha.”

Para: “Vem comigo?”

[ nome do projeto ]

Uma experiência pensada para aproximar pessoas, formar conexões e tornar o ambiente esportivo mais acolhedor. Porque o primeiro passo pode ser um movimento — mas permanecer pode começar com uma conexão.